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Breves citações históricas acerca do minerário e fértil Vale do Jequitinhonha

Foto: Mix AlmenaraA região do Vale do Jequitinhonha apresenta variedades folclóricas muito interessantes e dignas de serem apreciadas. Quer sejam pelos seus aspectos religiosos ou igenuamente profanos.

A impressionante história da região do vasto Vale do Jequitinhonha, ao mesmo tempo em que guarda beleza na exuberante arquitetura colonial, rememora grandes riquezas das imensuráveis minas de ouro e de diamantes que durante os séculos XVIII e XIX inundaram o Velho Mundo, ambos respectivamente edificados e ocorridos na microrregião do alto Jequitinhonha, também, ainda reflete resquícios das densas e verdejantes matas que o acobertaram, assim como, humilhaçao e sofrimentos dos antigos escravos mineradores e agricultores, e dos seus índios impiedosamente escravizados e sacrificados em prol da ocupação das terras regionais pelos colonos portugueses e neobrasileiros. Colonos ou invasores?

Seu eufórico início, logo no segundo quartel do século do descobrimento do Brasil, deu-se inicialmente pela procura de ouro e de pedras preciosas e posteriormente em função de índios para escravizar. Contudo, caiu no esquecimento da coroa portuguesa por mais de 200 longos e consecutivos anos, sendo que as microrregiões do médio e do baixo Jequitinhonha perfizeram cerca de 300 anos esquecidas, principalmente no trecho entre os atuais municípios de Araçuaí e Salto da Divisa. Pois, designadas pela Metrópole como Terras Proibidas, pelo fato de ser o seu Grande Rio eminentemente diamantífero, isolara-se.

Como seu primeiro explorador e também primeira vítima oficial, consta Miguel Henriques, comandante de uma galé que partiu da Bahia a 5 de novembro de 1550, com ordens literalmente expressa de “entrar rios adentro, até onde não mais pudesse.” E assim, Miguel tentou fazer. Contudo, em 18 de julho de 1551, da então São Salvador, Tomé de Souza, primeiro governador geral da Bahia, homem de fé como outros portugueses e castelhanos que no século XVI conquistaram novos mundos, escreveu a El Rei comunicando o provável naufrágio da galé: “se dera em terra na costa ou em algum rio. Tivera nova della notícia dada pelos índios.”

Em seguida, figura Martins Carvalho, cuja determinação da metrópole foi “entrar pela conhecida via de Porto Seguro e seguir por terra pelo Caminho dos Índios,” do conhecimento dos portugueses desde a época da precursora expedição designada para conhecer o litoral, sob comando de Amérigo Vespucci, entre 1501 a 1502, na qual o navegador deu a entender existir ouro no interior do continente, porém desconhecido e ignorado pelos seus nativos habitantes. Embora tenha realizado a façanha de chegar ao Vale de São Mateus e descoberto ouro pela primeira vez no Brasil, em face da hostilidade indígena, Carvalho retornou.

Entre 1553 a 1554, o peruano Francisco Bruza, castelhano residente na província de Porto Seguro, grande língua, homem de bem, de verdade e de bons espíritos, e correligionários, assistidos pelo capelão João Navarro, de mobilíssima família de reconhecidos intelectuais, do litoral baiano partiram numa histórica expedição com destino ao nordeste mineiro em busca da misteriosa e cobiçada Serra Resplandecente, chegando às imediações do Morro da Pedra da Camisa. Porém, não a tendo encontrado no referido percurso, tomou o rumo do curso do Jequitinhonha, e seguindo rio abaixo a examinar montanhas na esperança de topar com a tal serra donde caíam grandes pedaços de ouro, calcou pela primeira vez solos que bem mais tarde haveriam de compreender o atual município de Almenara.

 

Breves citações históricas acerca do minerário e fértil Vale do Jequitinhonha

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