Os índios do Vale do Jequitinhonha foram mártires da brutal colonização militarizada desta região
As tribos indígenas estabelecidas nas proximidades do quartel que deu origem a então localidade denominada como Vigia, atual Almenara, pertenciam à Confederação Craquimó. Integravam-se pelos temidos índios das tribos borun, (homens verdadeiros) pertencentes à nação dos tapuias. Devido à sua formação eminentemente selvagem, seus hábitos e costumes eram inimaginavelmente bárbaros. Contudo, segundo August de Saint Hilaire, suas faces expressavam brandura, inocência.
A partir dos anos 1800, em face da admissão do uso de botoques,- pequenos pedaços de madeira branca e leve, utilizados para alongar-lhes as orelhas e o lábio inferior, os portugueses e neobrasileiros, pejorativamente os vulgarizaram como botocudos. A antiga Vigia foi reduto de memoráveis tribos imortalizadas pelos seus conhecidos caciques. As imediações do Estreito de São Simão compreendiam as glebas dominadas pelo grande chefe Tujicaráma. Mais próximo ao Quartel de Vigia, fincava-se a aldeia do lendário Jan-Hoé, incontido guerreiro e plantador de feijão, acerca do qual, portugueses, brasileiros e viajantes, tinham preventivo e especial alerta.
Adiante, próximo à desembocadura do córrego Rubim, atual zona rural do município de Almenara, fixava-se a aldeia de Ari-Ari, possivelmente um chefe maxakali, que resistindo aos intuitos de aldeamentos propostos pelos quartéis instalados por Julião Fernandes, como forma de pacificá-los e congregá-los para depois dissolvê-los entre estes quartéis e os estabelecimentos agropecuários recém-implantados, servindo de soldados contra ataques indígenas e como mão-de-obra escrava, instalou-se córrego acima, posteriormente vitimados por um histórico massacre ocorrido na Fazenda Iracema, após início da fundação do atual Rubim.




