Sedas delicadas e couro refinado, o Verão 2012 renova sua estética

Se a alfaiataria é garantia de elegância na roupa das últimas temporadas, um toque de romantismo e até doses de delicadeza são a novidade no verão 2012 da São Paulo Fashion Week, semana de moda paulistana que prossegue até sábado, no Prédio da Fundação Bienal, no Parque Ibirapuera.

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Foto Reprodução
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Herchcovitch: tecidos antigos inspiram coleção refinada
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O branco jovial em alfaiataria impecável da Cori
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Reinaldo: Alfaiataria chique e sexy em sua austeridade
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Sexy e ousado, vestido longo de Reinaldo Lourenço
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Sedas delicadas e couro refinado, o Verão 2012 renova sua estética
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A primeira pista dessa vertente que marca o início de um novo ciclo na moda veio da coleção autoral de Reinaldo Lourenço. No salão requintado da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), o estilista paulistano abriu o segundo dia da SPFW com uma apresentação digna de divas em dia de tapete vermelho.

Inspirado no leque de referências românticas da década de 50,  Lourenço recriou vestidos, calças e macacões que transpiraram delicadeza. O mais impressionante foram os trabalhos desenvolvidos no couro, material que remete à roupa fetiche, e na lingerie, naturalmente ligada à sensualidade. Tanto um quanto o outro foram desenvolvidos juntamente com o tule, garantindo um tripé, no mínimo, elegante em saia-lápis comprida ou no vestido-tubo longo.

O apelo sex appeal dos anos pós Segunda Guerra Mundial renasceu na parte de cima das peças, marcadas pela forte presença do bojo de sutiã, que em alguns momentos lembraram ainda desenho de cabeça de gato.

No dicionário fashion do estilista, elementos impensáveis na linha festa, como ombreiras, bolsos embutidos e lingeries em destaque migrando para o traje black-tie. Por outro lado, as linhas sóbrias da alfaiataria garantiram que todo o excesso fosse abolido das peças.

Dessa maneira, o couro descolou-se do fetiche e prendeu-se ao tule, formando tiras ou texturas que mais se parecem com facetas de diamante. A geometria dos cortes garantiu reinado de jaquetas beatnik, calças mais curtas e t-shirts com elementos de corseletes.

Para complementar o clima de glamour, bolsas de mão em formato de diamante (afinal, a diva Marilyn Monroe afirmou que os diamantes são os melhores amigos da mulher), leque de cores suaves como branco off white, quarto rosa, safira e esmeralda e pitadas de humor com estampa fancy poodles passeando por vestidos menos sexies.

O clima lady like se estabeleceu também no desfile feminino de outro ícone da moda brasileira, Alexandre Herchcovitch. Mestre em dar novos direcionamentos no segmento, o estilista tomou como ponto de partida tecidos antigos – seda de jacquard floral, cetim e silk laise.

Diferentemente de sua última coleção, com ênfase em roupas pretas e austeras, dessa vez, o verão 2012 da marca foi marcado pela suavidade da cartela de amarelo, bege e rosa. Os tons carregados de poeira foram elevados ao status de antigo por força de bordados a mão de pequenos cristais. A roupa verão 2012 de Herchcovitch foi adocicada pelo retorno da cintura marcada, saia rodada e laços, além de brilho gliter aplicado em unhas e na maquiagem como açúcar cristal.

A idealização do romantismo foi acompanhada de um exercício mais nobre: fazer roupas de um jeito antigo. Nesse ponto, Herchcovitch exercitou sua criatividade elaborando vestidos e saias com pences, pregas e pequenos pedaços de tecido aplicados do lado externo na roupa como moldes. O excesso de elementos retrôs não deixaram as peças da coleção com ar envelhecido por força de alguns elementos pensados por Herchcovitch, como recortes de lingerie no shape de algumas peças, misturas de cores fortes como vermelho, para quebrar a monotonia, além de bonés estampadas e escarpins florais da Schutz.

Alfaiataria ganha novo olhar

Até a tradicional Cori conferiu um novo olhar à sua alfaiataria. Dessa vez, a dupla de estilistas Giselle Nasser e Andrea Ribeiro revitalizaram clássicos como o blazer, usado no verão com manga arregaçada. O apelo da coleção verão 2012 da Cori foi o mix de referências esportivas.

Elementos herdados do tênis migraram em forma de pregas, tiras elásticas, construção de regatas, jogo de listras e até em viseiras compondo os looks.  No verão que pede frescor, algodão e linho foram resinados e plastificados, resultando em efeito molhado e com brilho. A cintura da roupa Cori para a estação mais quente do ano foi deslocada para a linha dos quadris, pura referência aos anos 1920, assim como o comprimento longuete.

Tão refrescante quanto a Cori, a marca de Waldemar Iódice apostou na aplicação de renda guipire e na transparência de diáfanos vestidos. O leque de tecidos importados se juntou aos bordados em renda. Mas foram os elementos da alfaiataria que mais uma vez rejuvenesceram a coleção. As roupas da Iódice nem de longe carregavam perfume de brechó. Ao apostar no branco e no amarelo-lima, Waldemar recriou muito mais clima balneário chique para os vestidos da marca quanto para macacões e calças.

A estação primavera inspirou o estilista a desenvolver estamparia de tulipa ou trabalhar shape de mesmo nome nas peças. No quesito conforto, ele revigorou seus macacões com decotes e apostas no jérsei, tecido que já integra o DNA da Iódice. Agora presidente da Associação Brasileira de Estilistas (Abest) Valdemar Iódice pretende estreitar as relações entre marcas brasileiras e o mercado internacional, por meio do crescimento de vendas virtuais.

Para isso, a Abest organizou três eventos durante a São Paulo Fashion Week, promovendo encontros entre estilistas nacionais e 16 compradores internacionais convidados para o evento. Entre eles, representantes dos sites americanos Shopbob, Fashionista e Moda Operandi. "O objetivo é o de apresentar as coleções de estilistas brasileiros associados a futuros clientes, que em sua maioria utilizam do e-commerce para fechar negócio. Assim, as marcas nacionais poderiam vender suas criações no exterior, sem necessariamente ter uma loja em outro país", reiterou Valdemar Iódice.

por Lady Campos